Rotina, Conforto e o Sinal de Mudança

Por 11 anos, atuei como negociador de preços de combustível em uma grande transportadora. Meu dia a dia era basicamente negociar com postos e distribuidoras para garantir as melhores condições possíveis. Eu dominava meu trabalho, tinha bons resultados, era reconhecido. Mas, com o passar do tempo, a rotina começou a pesar. A previsibilidade dos dias, das negociações, das planilhas… tudo se tornou automático demais.

Comecei a sentir que estava estagnado. Queria algo novo. Não só por insatisfação, mas também porque percebi que o mercado estava mudando — e eu não queria ficar para trás.

Foi então que comecei a olhar para outras áreas, especialmente as que estavam crescendo. A área de Dados se destacou. Vi nela uma chance de encontrar novos desafios, sair da zona de conforto e ainda construir uma carreira com perspectiva de futuro.

O Primeiro Contato com Dados

No meu antigo emprego, conheci o Power BI. A princípio, como usuário. Usava dashboards construídos por outras pessoas para buscar preços mais competitivos e embasar negociações. Mas não demorou para eu me perguntar: “E se eu conseguisse montar esses relatórios também?”

Curioso, comecei a explorar a ferramenta. A empresa onde eu trabalhava oferecia alguns cursos, e fiz todos que pude. Mas a virada veio mesmo com o curso gratuito da DSA (Data Science Academy). Foi ali que percebi que, sim, eu era capaz de aprender aquilo. E mais: comecei a gostar daquilo. Muito.

Referências e Fontes de Inspiração

Nessa jornada, duas figuras foram fundamentais: a própria DSA, com seus cursos muito bem estruturados, e o Leonardo Karpinski, que se destaca pelo didatismo e pela forma como transmite conhecimento. Ambos representam, hoje, o tipo de profissional que eu quero ser no futuro: alguém que domina a técnica, mas sabe compartilhar.

Ver pessoas reais, com histórias reais, construindo carreira com base em dedicação e estudo me deu forças para continuar. Era como se dissessem: “Você também pode”.

Dificuldades Reais, Medos Reais

Migrar de carreira nunca é fácil. No meu caso, o desafio foi ainda maior por causa das responsabilidades. Sou casado, tenho contas a pagar, compromissos assumidos. Pensar em sair de uma posição estável para apostar em uma nova área parecia irresponsável em alguns momentos. Mas, quando surgiu a oportunidade de fazer essa transição de forma planejada, abracei.

Tive que dar um passo para trás. O salário caiu. Tive que abrir mão de algumas comodidades. Mas, no fundo, sabia que era necessário. Às vezes, retroceder um pouco é o que permite dar grandes saltos no futuro.

Descobrindo o Que Eu Carregava Dentro

A cada aula, cada projeto, cada pequeno avanço, fui descobrindo algo novo — não só sobre dados, mas sobre mim mesmo.

Aprendi que sou capaz de tomar decisões difíceis mesmo sentindo medo. Aprendi que a tal da “estabilidade” pode, muitas vezes, ser uma prisão disfarçada. E percebi que, quando você se arrisca, sua mente começa a criar, propor, sonhar de novo.

Me redescobri. E foi uma das melhores sensações que já tive na vida profissional.

As Primeiras Conquistas

Hoje, três meses depois da mudança, já entreguei dois aplicativos no Power Apps, uma automação no Power Automate e estou finalizando meu primeiro dashboard.

Para quem vê de fora, pode parecer pouco. Mas, para mim, é enorme. Porque são coisas que eu nem imaginava conseguir fazer tão cedo. E mais do que isso: pude apresentar esses projetos em reuniões com outras áreas, explicar o processo, os desafios, o que foi pensado. Isso me deu uma sensação de pertencimento que eu não tinha há muito tempo.

Expectativas x Realidade

Uma coisa que eu percebi cedo foi que trabalhar com Dados não é só criar dashboards bonitos. Muitas vezes, o trabalho envolve coisas bem menos glamourosas: criar formulários para coleta de dados, organizar planilhas, padronizar nomenclaturas, garantir integridade nas informações.

Mas tudo isso é essencial. A entrega só tem valor se resolve um problema real. Não importa se foi com Power BI, Excel ou Forms. O que importa é entregar algo útil, prático, confiável — e rápido.

Essa visão mais pé no chão me ajudou a entender melhor o meu papel e a me organizar melhor dentro da equipe.

Uma Nova Identidade Profissional

Antes, meu cargo era Analista Administrativo, mas minhas atividades tinham forte viés comercial. Hoje sou Analista de Planejamento e Operações, atuando como suporte estratégico em uma das maiores institutions de ensino a distância do país.

O título mudou, mas o mais importante foi o sentimento por trás da mudança: agora eu me vejo, de fato, como alguém da área de Dados.

Assumir isso também é um processo. No começo, eu mesmo não me sentia seguro para dizer “trabalho com dados”. Hoje, tenho mais convicção. Ainda estou aprendendo, claro, mas já faço parte disso.

O Que Eu Precisei Abrir Mão

Como toda mudança real, essa também teve custos. Abri mão de um salário um pouco melhor. Precisei estudar à noite, nos fins de semana. Tive que recusar convites, sair menos, gastar mais tempo vendo vídeo aula do que série.

Mas, em troca, ganhei mais qualidade de vida. Tenho folgas aos sábados, feriados prolongados, e um ambiente mais leve para trabalhar. E, acima de tudo, ganhei perspectiva de crescimento.

Foi um investimento — e tudo indica que vai valer muito a pena.

Se Você Está Pensando em Mudar de Carreira…

Não importa se você tem 25, 35 ou 50 anos. Não importa se nunca ouviu falar em Power BI ou SQL. Se você sente que precisa de algo novo, algo que te desafie, algo que te faça crescer, vá atrás disso.

Comece devagar. Estude o básico. Pare de gastar tempo com o que não te leva pra frente. Pode ser que demore. Pode ser que pareça impossível no começo. Mas, uma hora, a chance aparece.

E, quando ela aparecer, você precisa estar pronto para agarrá-la.